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5.28.2004

Um amor solitário  

"Eu gosto do jeito inocente que vive distante naquele lugar...
Onde os gestos confundem as palavras dificeis de explicar.
Tu ficas no silêncio do escuro, guardada no canto ouvindo segredar, com as estrelas convictas de que um dia os ventos vão amainar.

E deixa o vento falar
E deixa o tempo mostrar
Que os Oceanos vão chamar
Filha do Mar.
E deixa o vento falar
Deixar o tempo pensar
Que os Oceanos vão chamar
Filha do Mar
Filha do Mar...

Existe um vulcão adormecido
Que outrora a lava tentou devorar
Onde a paisagem contempla as vidas de quem teve medo de naufragar...
Mora dentro do teu peito um amor solitário que tarda em voltar. Vai desvendando promessas, enganos sem nunca os condenar.

E deixa o vento falar
E deixa o tempo mostrar
Que os Oceanos vão chamar
Filha do Mar.
E deixa o vento falar
Deixar o tempo pensar
Que os Oceanos vão chamar
Filha do Mar
Filha do Mar..."



5.14.2004

Para Sempre 

Oiço-te como se ouvisse chegar a primavera. Gosto de passear no bosque, de correr no meio das flores...como se me perde-se, como quando fugi à procura de camaliões por ainda não saber que todos se extinguiram no tempo...e só hoje percebi que tudo passa e que acabamos por perder aquilo que gostamos, pouco a pouco, com o passar do tempo e que já não vou ter a oportunidade de no meu vestido papagaio perder o meu sapatinho de cinderela...e ouvir dizer:tété.
Muitas vezes me sinto no meio do bosque à procura da verdade das coisas...a contar a estrelas...e descobrir que nelas está escrito que há sempre um dia em que regressamos às nossas origens, por isso, durante a minha caminhada pelas areias do deserto imagino-me a caminhar na tua direcção e a cantar a lenda, vestida de azul marinho...para me confundires com as ondas que cantam a música de fundo...assim, canto à minha maneira um amor que será eterno se algum dia o sentir, se já não o sinto...
Não preciso de ninguém para chegar lá, porque mesmo de olhos fechados conheço o Farol, onde toda a infância se esconde e o futuro de uma Ilha que será só minha para sempre.

5.05.2004

Para sempre...um brilho nos olhos 

Gosto de ver o por-do-sol no “molho”. Ele despede-se de nós, timidamente, temendo não me voltar a ver...prometo-lhe sempre que amanhã bem cedinho terei um sorriso guardado só para si.
Passear sozinha faz-me bem...sentir o vento dançar na música cantada pelos céus... quando a noite cai ficam as estrelinhas...que brilham. Uma vez vi uma chuva de estrelas, foi lindo, acreditava ainda que ia conseguir apanhar uma. Nem toda a gente tem hipótese de ver as estrelinhas a perderem-se no mar. O mar é tão ganancioso!Ficou com todas para ele... mas não fiquei triste porque sou amiga do mar...e das coisas que poucos dão valor!
Houve tempos em que todas as noites só conseguia dormir depois de abraçar o farolinho...há coisas que marcam uma vida...que nos ligam a um lugar para sempre. Podia estar no outro lado do mundo, mas o brilho das noites em que corria praia fora, fugida de sentimentos tristes e mesmo sem encontrar o que queria sentia-me livre, estará sempre presente.
Hoje só quero ver a noite chegar ao teu lado, o silêncio nem existe para nós...
Nunca me interrogo muito sobre o que vou fazer no dia seguinte, gosto que tudo seja indefinido. Esta praia é um mundo cheio de segredos... todas as conchas, até as mais pequenas tem uma história para nos contar...eu costumava dizer que há pessoas que não sabem ouvir os búzios por falta de tempo, ficam perdidos pela praia...as pessoas deixam pegadas ao seu lado numa indiferença fria...
Mas hoje só quero ver o reflexo da lua no mar, estar no “molho” é estar perto da infância que já não volta nunca mais. Deixa-me ser para sempre a menina do mar.

5.02.2004

Alguém deu à costa... 

Hoje acordei com um passarinho a cantar o frio... levantei-me e tentei imitar o passarinho, voando em pensamentos...cheguei à praia, o mar estava bravo. Parecia um dia de inverno. Não percebo quem é que manda no tempo!
Fiquei a olhar o mar, a tentar encontrar o fim, mas ninguém o consegue ver...vi um barco que tentava fugir às ondas. Parecia um barco de piratas...quando estava mais perto resolvi esconder-me ao pé das rochas. Saíram de lá homens curiosos que achavam ter encontrado um tesouro... correram meia praia, segui-os, não encontraram nada! Empurraram do barco um rapaz e seguiram viagem.
Era moreno e tinha olhos azuis, parecia sentir-se perdido. Olhava espantado para todos os lados, sentia-se deserto...o olhar dele despiu-se de sentimentos. Fui ter com ele e abracei-o. Estava salvo pensou.
Estivemos muito tempo sem falar, o sorriso dele fazia-me querer que estava feliz por me encontrar no meio da solidão. Não era só ele que estava a salvo, eu também. A noite foi uma entrega ao amor de quem esperava a outra mão. Perguntou-me quem era a rapariga da imagem que tenho no quarto...

5.01.2004

Enquanto o Farol girar as noites serão de amor e os dias nascerão com cheiro a mar...

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